Queria ser um não contribuinte


   Dona Maria tem um filho. Certa vez ela o mandou comprar cinco quilos de arroz e um quilo de feijão e com o troco, comprar doces. O menino, muito fanfarrão, fez o contrário: comprou vários doces e apenas uma pequena porção de arroz e outra de feijão. Dona Maria se sentiu totalmente desorientada e traída. Confiava em seu filho e este não cumpriu sua parte.
   É exatamente isso que ocorre quando pagamos impostos e o dinheiro que deveria ser empregado a nosso favor não vai ao seu destino correto.
Pagamos tributos sobre praticamente tudo o que consumimos, mesmo que por vezes não percebamos isto, devido aos tributos estarem implícitos no preço dos produtos adquiridos.” Fonte: www.portaltributario.com.br – 05/04/2012.
        Sempre ouço nos noticiários que o Brasil é um dos países que mais cobram impostos no mundo. Imagine agora que se no nosso país o pagamento de tributos sobre os produtos adquiridos fosse facultativo? Chamarei, nessa minha utopia, de não contribuintes, o que optariam por não pagar impostos. Imagino aqui, pessoas físicas, cidadãos comuns, que poderiam adquirir suas mercadorias desde a cesta-básica, por exemplo, até um automóvel, sem contribuir com impostos.
   Ao pagar as contas em um supermercado, imaginem o caixa dizendo:
   - Sua compra ficou em trezentos reais!
   - Sou um não contribuinte. Você logo retruca.
   O caixa responde:
   - Então o valor ficou em cento e oitenta reais!
   Em uma concessionária de veículos, o vendedor diz que se fosse contribuinte, pagaria trinta e cinco mil por um carro zero, mas não sendo contribuinte, o mesmo veículo ficaria em vinte e dois mil.
   As desvantagens (se é que poderemos assim chamar) dos não contribuintes é que esses não poderiam utilizar dos serviços públicos, como: SUS, escola pública, rodovias, etc.
   Ao não contribuir com impostos, sobraria por volta de quarenta por cento do nosso salário. Poderíamos, quem sabe, pagar uma boa escola aos nossos filhos, pagar por um atendimento de saúde digno, teríamos condições de transitar em rodovias particulares que poderiam existir, pois nos sobraria dinheiro para pagar os pedágios que essas teriam... Não quero desvalorizar aqui os profissionais das redes públicas, mas sim o sistema que os gerem.
   A opção de não contribuir com impostos nos daria autonomia para administrar uma grande parte do que ganhamos (os quarenta por cento citado) e que deixaria de estar em mãos erradas, nas mãos de quem confiamos, como no caso de Dona Maria, e que nos decepcionam.
   Se tudo isso fosse possível, se pudéssemos escolher a não contribuir e com isso passar a não poder depender de alguns setores que o Estado oferece, eu, obviamente, seria um não contribuinte!

 Pedra Sutil

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